07 novembro 2018

Emiliano Dantas - Entre o Mato e a Roça


O cacau já foi o ouro negro do Brasil, nomeadamente do estado da Bahia. O sucesso das primeiras plantações, no séc. XVIII, levaram os colonizadores portugueses à sua produção massiva. Os donos das fazendas, conhecidos como os coronéis, dominavam o poder político e económico da região à custa da opressão violenta dos trabalhadores, maioritariamente escravos oriundos de África. E este cenário permaneceu até 1989. Um fungo conhecido como Vassoura de Bruxa dizimou as áreas de cultivo. As roças foram abandonadas pelos seus donos e por grande parte dos trabalhadores. Os que ficaram estabeleceram parcerias com os donos, continuando a produção em troca de metade dos lucros.

Mais do que a vida destes meeiros nos dias de hoje, as fotografias do antropólogo Emiliano Dantas testemunham o tempo. Ruínas invadidas pelo mato, pedras abraçadas pela natureza. Sinais de um passado opressivo como a religião, um busto dum coronel, ou a injusta folha de pagamentos na qual, no final das contas,  assalariados ainda ficavam a dever aos patrões. Pessoas que  gerem os seus dias, os seus trabalhos e lazeres. Livremente.

 Museu do Neorealismo
Vila Franca de Xira
Até 25 de Novembro